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Projeto "Pedalar" ensina reparo e manutenção de bicicletas para pessoas privadas de liberdade

Conhecimentos do curso apoiado pela CNseg abrem portas para a geração de renda

04 de Fevereiro de 2022 - Instituto Ação Pela Paz

 

Diversos levantamentos apontam que a bicicleta é o meio de transporte sobre rodas mais utilizado do mundo. No primeiro semestre de 2021, o Brasil registrou média de 34,17% de aumento nas vendas do produto em comparação ao mesmo período de 2020.

Os dados são de um monitoramento realizado pela Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas), que ouviu 180 lojistas de diversos portes em 20 estados diferentes, mostrando um resultado positivo depois de um ano muito favorável para o setor (2020 registrou um crescimento de 50% em relação a 2019). A tendência é que os números sigam em ascensão.

Como consequência da maior circulação de ‘magrelas’ pelos quatro cantos do país, demandas de mecânica e assistência vão se tornando um atrativo para quem busca um meio de profissionalização ainda pouco explorado.

Visando esse cenário, o Centro de Detenção Provisória de Jundiaí, com o apoio do Instituto Ação Pela Paz, no âmbito do SEMEAR (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando), se prepara para dar início ao projeto “Pedalar”, que promove um curso de sobre reparo e manutenção de bicicletas, para que os reeducandos adquiram habilidades para colocar em prática quando conquistarem a liberdade.

Vale lembrar que todo o trabalho do Ação Pela Paz é alicerçado no apoio da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização).

Para que os assistidos se sintam motivados a participar da formação, os responsáveis pelo projeto se empenham em criar um ambiente que facilite o processo de aprendizagem. Além disso, serão realizadas rodas de conversas para estimular o pensamento empreendedor e o desenvolvimento de inteligência emocional. O objetivo é ampliar os conhecimentos e habilidades sociais dos beneficiários.

Marcos Rogério Sartori, Supervisor Técnico da unidade e líder do programa, lembra que a iniciativa é inédita no CDP de Jundiaí e que não há notícias de um formato parecido em outros estabelecimentos penais. “O projeto vem ao encontro do equilíbrio e da igualdade na aplicação da lei em atenção à assistência à saúde”, destaca.

As atividades terão início em fevereiro e devem beneficiar 96 pessoas privadas de liberdade. A grade do “Pedalar” contempla competências para o trabalho técnico com a mecânica de bicicletas, preparando o aluno para desenvolver atividades remuneradas por meio do empreendedorismo ou como colaborador em estabelecimentos do ramo.

Mas os benefícios vão além de uma profissão. O curso tem como intuito abranger o aspecto psicossocial dos participantes, desenvolvendo a inteligência emocional junto a novas habilidades em paralelo com a motivação para o trabalho. A crença na ressocialização, aliadas às melhorias do bem-estar, autoestima, disciplina e no convívio durante o cumprimento da pena, também serão pontos avaliados.

Com uma carga horária de 12 horas, divididas em três horas semanais, o projeto deve formar seis turmas de 16 alunos até o fim de julho. As aulas serão conduzidas por um monitor reeducando, que já possui habilidades e experiência na atuação com bicicletas. A intenção é formar novos multiplicadores para continuidade das ações.

“Importa dizer que fortalecer as relações pode reduzir os impactos físicos, emocionais e neurológicos que a exposição ao ambiente carcerário pode acarretar aos detentos e a toda sociedade”, lembra Sartori, que atua sob a gestão do Diretor Técnico da unidade, Dr. Alexandre Apolinário de Oliveira.

O “Pedalar” é um projeto com algumas características adequadas para replicação em outras unidades prisionais. Dayane Martins, analista de projetos do Instituto Ação Pela Paz, lembra que cursos de curta duração como esse, ajudam na diminuição da evasão dos participantes, causada pela alta rotatividade, comum em unidades prisionais.

Ela destaca ainda que a metodologia do curso aliada à oportunidade de empregabilidade é um fator muito relevante, tendo em vista as dificuldades desse público em conseguir se integrar na sociedade.

O projeto “contribui para a redução dos impactos negativos da privação de liberdade, promovendo melhora no convívio entre os participantes”, enfatiza a analista ao concordar com Marcos Sartori. “É possível atender vários reeducandos de uma mesma unidade, com a criação de novas turmas, preparando-os para uma possibilidade de geração de renda aqui fora”, conclui Dayane.

 

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