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Com apoio da CNseg, organizações sociais geraram renda para aproximadamente 170 egressos

Por meio de processos próprios, institutos Recomeçar e Responsa tiveram quase 1.500 beneficiários passando por suas metodologias

02 de Fevereiro de 2022 - Instituto Ação Pela Paz

 

O segundo ano da pandemia de Covid-19 foi um período de diversas oscilações sanitárias e econômicas em todo o país. As organizações focadas no desenvolvimento de assistências para pessoas egressas do sistema prisional e apoiadas pela CNseg, por meio do Instituto Ação Pela Paz, tiveram, ao longo desse período, muitos desafios para manterem os trabalhos com cenários ainda bastante instáveis.

Entre janeiro e dezembro do ano passado, o Instituto Recomeçar deu continuidade a várias iniciativas e processos adotados em 2020, por conta das necessidades do distanciamento social no decorrer de boa parte dos meses. Contudo, a organização capacitou, em São Paulo, 471 egressos, que participaram do processo de desenvolvimento pessoal.

Com carga horária de 10 horas, dividida em três dias na semana, a formação trabalha pontos essenciais para que os beneficiários obtenham contato com temas como autoconhecimento, habilidades, competência, cidadania, direitos e deveres.

O Recomeçar ainda gerou 104 empregos, sendo 93 oportunidades com registro CLT, oito cooperados e três atuando como Pessoa Jurídica. Além disso, a ONG, fundada pelo líder social Leonardo Precioso, egresso que conhece bem a realidade dos seus assistidos, também contabiliza ao menos 10 pessoas que atualmente geram renda por meio de negócios próprios. Os microempresários construíram suas estruturações após a passagem por capacitações com foco no empreendedorismo, promovidas pelo instituto.

Quem também venceu as barreiras de 2021 e possibilitou novas perspectivas de vida para quem deixou a prisão é o Responsa. A organização contou com 523 pessoas egressas em sua preparação. A Capacitação Fênix apresenta aos usuários temas sobre mercado de trabalho e abre as portas para o encaminhamento para vagas de emprego e a participação em uma série de cursos de qualificação.

Ao todo, 113 pessoas foram empregadas, com 38 por meio da CLT, 27 como Pessoa Jurídica, mais 48 em vagas temporárias e freelancers durante o ano. Outros 10 egressos receberam aporte financeiro para investir em seus empreendimentos, tendo ainda o monitoramento da organização para a geração de renda para si e suas famílias, além de apoiar na consolidação em suas áreas de atuação.

“Desde a nossa formalização como organização social, já atendemos mais de 1.600 pessoas e dessas nós capacitamos ao menos 1.300. Nós colocamos no mercado de trabalho, nas diversas condições como PJ, freela, CLT e temporário mais de 1.000 pessoas. Alcançamos egressos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e temos beneficiários também no Nordeste. Nossa perspectiva é escalar essa metodologia a nível Brasil”, conta Karine Vieira, fundadora do Instituto Responsa.

Para a líder social, que também já foi privada de liberdade, é possível expandir seu alcance de forma mais rápida por conta da tecnologia, uma ferramenta que se tornou grande aliada nos últimos tempos.

“Nós sabemos que muitas coisas precisam ser feitas presencialmente, mas, depois dessa pandemia, descobrimos que é possível realizar diversas ações no método online. Às vezes, um atendimento que eu faria presencialmente hoje faço de maneira virtual. Talvez essa pessoa só precisasse ser escutada e nós podemos fazer isso numa chamada de vídeo”, explica Karine.

 

Novas regiões e impacto de atuação

Além da sede paulista, localizada na cidade de Poá, o Recomeçar está no seu segundo ano de atuação em Pernambuco e iniciou os trabalhos também em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo e na capital do país, Brasília, no Distrito Federal.

Em parceria com o Patronato do estado, o braço Pernambucano da ONG capacitou mais de 500 pessoas egressas e direcionou beneficiários a 70 postos de trabalhos, contratados por meio da LEP (Lei de Execução Penal). De acordo com o Relatório Geral da Pesquisa de Reincidência Criminal, que analisou dados da atuação do programa, nas duas regiões (SP e PE), entre 2019 e 2020, entre as pessoas egressas que passaram pelo programa do Recomeçar, 85% não reincidiram ao cárcere.

Leonardo Precioso, à frente do Recomeçar, explica que “hoje há instituições que trabalham no desenvolvimento do egresso do sistema carcerário, preparando-o com suas questões básicas em relação à cidadania e qualificação profissional”.

“Temos aqui algumas organizações responsáveis para desenvolver esse egresso e entregar (ao mercado) uma pessoa preparada, para que a contratação não seja apenas uma contratação, mas um investimento social”, detalha Leonardo, que contextualiza como iniciativas de diversos atores da sociedade impactam nesse novo cenário.

“A mobilização que vem sendo feita, por meio de organizações sem fins lucrativos, instituições privadas e o próprio Poder Público, está colocando esse fato, que era de exclusão, como diversidade dentro das empresas e da sociedade de uma maneira geral. Essa é uma conquista importante”, conclui.

 

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