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Programa de Educação em Seguros

Cedom da CNseg digitaliza apólices que mostram história do seguro no século XIX

Até Abolição da Escravatura, escravos, considerados mercadorias, tinham seguros contratados por seus proprietários por danos durante o transporte ou por morte natural nos engenhos

13 de Maio de 2019 - Educação em Seguros

Poucos sabem, mas escravos eram “bens” segurados até a Abolição da Escravatura no Brasil. Em razão de seu fim, dois tipos de seguros ruíram: um para o transporte de escravos pelos navios negreiros e outro por morte natural dos negros. Todos beneficiavam os donos de navios ou senhores de engenho. Parte dessa história, registrada em apólices e documentos digitalizados, pode ser acessada pelo Centro de Documentação e Memória do Mercado Segurador (Cedom) da Confederação das Seguradoras (CNseg). Página virada na história de um setor dos mais engajados em promover a diversidade (não só racial) em seus quadros na atualidade.

O Brasil foi um dos maiores mercados do tráfico negreiro e um dos últimos países a abolir a escravidão, à frente apenas de quatro nações (Zanzibar, 1897; Etiópia, 1942; Arábia Saudita, 1962; Mauritânia, 2007). Curiosamente, as seguradoras marítimas especializadas em apólices para navios negreiros ampliaram sua produção de prêmios após a proibição do tráfico de escravos pela Inglaterra, em 1834. Isso porque os preços dos escravos subiram extraordinariamente a partir daí, o que tornava as perdas vultosas em caso de acidentes marítimos, oferecendo riscos à sobrevivência das empresas de transporte.

Resultado: os prêmios pelas coberturas subiram a partir de meados do século XIX pelo fato de os escravos terem se tornado uma carga valiosa. Já no caso dos seguros para os escravos nos engenhos, a atuação era cautelosa, já que as companhias cobriam apenas morte natural, comprovada com perícia feita pela seguradora, e essa cobertura valia apenas para negros entre 12 e 45 anos, a mão de obra predominantemente usada pelos senhores rurais. O único legado dessa época é que o seguro por morte de negro inspirou o que hoje é conhecido como seguro de vida.

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