Mercado reclama coberturas mais abrangentes de resseguro

06 de Abril de 2017

Mercado reclama coberturas mais abrangentes de resseguro

Solução para transparência de risco em saúde foi um dos temas debatidos nesta quinta-feira, incluindo nós regulatórios

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Especialistas discutem como viabilizar oferta de plaos de resseguro para riscos severos de  Saúde Suplementar

Uma exortação pública para que as resseguradoras lancem planos mais abrangentes para as operadoras de Saúde Suplementar não deixa dúvidas de quanto esta ampliação de oferta é necessária e estratégica para o setor. O apelo partiu da presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, ao participar dos debates que sucederam justamente a palestra sobre  lacunas e perspectivas de oferta de proteção mais efetiva aos riscos severos das operadoras de saúde, no segundo dia do 6º Encontro de Resseguro, encerrado nesta quinta-feira na cidade do Rio de Janeiro e promovido pela CNseg, Escola Nacional de Seguros e Fenaber. "Senhores sejam mais criativos e ampliem a oferta de produtos. Contamos com a criatividade, solidariedade e parceria das resseguradoras", assinalou Solange Beatriz, destacando a importância do resseguro para blindar o risco severo das operadoras de Saúde Suplementar.

Embora raros (ou seja, de baixa frequência, no jargão do mercado segurador), os sinistros atípicos podem resultar em valores astronômicos. “Já pagamos uma conta de quatro milhões por um sinistro severo”, contou o executivo Valter Hime, diretor da Sompo Saúde Seguros, durante a palestra “Solução para a transferência de risco em saúde”.

Os sinistros severos são aqueles que se iniciam, aleatoriamente, durante um procedimento de baixa complexidade, como a realização de uma ressonância ou tomografia, provocam mal-estar nos pacientes, exigindo tratamentos urgentes (ou intensivos) e, sobretudo, caros. Algo difícil de ser precificado e desestabilizador das finanças das operadoras, sobretudo das pequenas e de médio portes, lembra Hime. “Não há modelos matemáticos capazes de prever que um paciente vá passar mal durante o uso de contraste em sua tomografia, entrar em coma e precisar de tratamento emergencial para salvar sua vida. Mas ocorre e é extremamente oneroso”, destacou ele.

A participação mais ativa das resseguradoras é um pleito histórico do mercado de Saúde Suplementar e, na verdade, já existem alguns planos disponíveis, como o stop loss. Trata-se de um mercado de grande porte para prospecção de resseguros, considerando-se os números da Saúde Suplementar- que movimentou R$ 160 bilhões no ano passado e representou 40% do faturamento do mercado de seguros ampliado (inclui também ramos elementares, previdência e vida e capitalização). “Mas os resseguradores não devem esperar encontrar demanda para toda a carteira, pelo menos no caso das grandes operadoras. Na verdade, a demanda mais frequente deve ser por seguros de stop loss, geralmente associados a grupos de empresas empregadoras contratantes”, adiantou Solange Beatriz.

Mas uma restrição regulatória ainda impede a aquisição de planos de resseguro por todos os atores de cadeia. Desde 2009, a proposta de incluir o resseguro para afastar o risco de despesas vultosas e inesperadas é discutida.  Naquele ano, um parecer da Procuradoria da Susep disse que a contratação de resseguro só poderia ser realizada por operadora constituída como sociedade seguradora. Um ano depois, um projeto de lei do Senado (PLS 259) propôs a contratação para as demais operadoras de saúde, mas acabou arquivado após as discussões. Em 2013, a Susep revisou o parecer, admitindo a compra direta de resseguros por todas as operadoras.  A autarquia, contudo, voltou atrás em 2016, com a publicação de parecer que ratifica o entendimento de 2009, inviabilizando assim a compra irrestrita. 

 

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